segunda-feira, 20 de novembro de 2017

CRIOLA e Movimento Moleque lançam Campanha "Enquanto Viver, Luto!",

Foto Viviane Gomes CRIOLA
 Por Mônica Aguiar e Viviane Gomes 
( Rede  Ciberativistas  Negras ) 


O racismo é um inimigo maior do que se imagina

A Campanha "Enquanto Viver, Luto!", organizada pelo Criola e Movimento Moleque, foi lançada na segunda quinzena de novembro deste,  e quer mobilizar a sociedade para o fim do racismo. 

O lançamento se deu em frente igreja da Candelária no Centro do Rio de Janeiro .  Uma das  estratégias definida  para o fim do racismo e os efeitos que ele produz no cotidiano das mulheres negras, bem como  dialogar com a sociedade em torno das desigualdades sociais  e as assimetrias raciais existentes.

O lançamento contou com a presença de parlamentares, ativistas, militantes, pesquisadores e mães e pai afetadas/o pela força violenta e letal do Estado.

Foto Viviane Gomes CRIOLA
As vereadoras Marielle Franco do Rio de Janeiro e Talíria Petrone de Niterói, colocaram seus mandatos à disposição da luta das mulheres negras contra o racismo. Marielle Franco destacou a importância de o lançamento ter sido feito num espaço público, cuja ocupação é negada à população negra. Assim, como a participação das mulheres negras na política. "É a política que decide a nossa vida. Se a gente está distante, não temos como intervir. A gente tem que estar lá para dizer que as nossas vidas importam, que a nossa vivência importa. Para dizer também que a gente quer saber quem está decidindo a nossa vida", declarou a Vereadora Marielle Franco. Para Talíria Petrone há uma potência na mulher negra que vem da história. "Se é tempo de dor, também é tempo de resistência. O mandato está à disposição dessa dor e da luta."

Ana Paula Oliveira, mãe de Jhonata Oliveira, assassinado pelo Exército durante da ocupação da favela de Manguinhos, disse que se identificou com o lema da campanha "Enquanto Viver, Luto!". Num relato emocionante, a organizadora do Fórum de Mães de Manguinhos desabafou dizendo que esses filhos não morreram. "Eles estavam bem de saúde, mas saíram de casa e não voltaram. Eles foram mortos." Ana Paula é categórica: "Para nós, não tem opção. Quando isso acontece a gente não sabe o que fazer. A gente ganha um sacode. A gente só sabe que é a única opção é lutar por eles e por nós. A campanha é para mostrar a cara de toda mulher negra que resiste e vai continuar lutando e resistindo".

A médica e pesquisadora da Fiocruz, Verônica Souza de Araújo, falou sobre os impactos do racismo na área da saúde. "Não é por acaso que a mortalidade materna ocorra sete vezes mais em mulheres negras do que em mulheres brancas", argumenta. Vanessa Lima, advogada do Elas Existem, pontuou a massiva presença dos corpos negros encarcerados nas penitenciárias brasileiras.

Mônica Cunha
Mônica Cunha, ativista do Movimento Moleque e Lúcia Xavier, coordenadora-geral de Criola responsáveis pela campanhaafirmaram e que ira conscientizar as mulheres de que o racismo é um inimigo maior do que se imagina. 
Que a organização da sociedade faz com que as pessoas acredite que as estruturas sejam sempre harmônicas. Como se pobreza, desigualdade, violência, doenças fossem obras da providência divina e que não há formas de alterar essas situações.

Lúcia Xavier 
Há jeito, mas é preciso que a gente diga que não aceita mais. "A sociedade hierarquizada baseada nas formas de produção é uma construção negativa que faz o negro ser menos gente. Eu não aceito." Lucia Xavier defende que a arma dessa luta seja dizer que a gente não aceita mais.

Pausas longas e lágrimas marcaram a fala - carregada de emoção - das mães e do pai quando lembraram de seus filhos assassinados. Solidárias, as organizações: Cieds, através do programa Fazedores do Bem, o CTO, Associação de Familiares de Presos do RJ, Comissão de Direitos Humanos da ALERJ, Associação Amar, Frente do Desencarceramento no Rio de Janeiro, o Movimento Tortura Nunca Mais, Redes da Maré, ISER, Rede de Comunidades e Movimentos Contra Violência, Fórum Grita Baixada e a Rede Nacional de Mães e Familiares de Vítimas do Estado Brasileiro se juntam ao coro dos parentes das vítimas para dizer: Enquanto viver, luto!



Pernambuco Festival Afrocoletividade

Programação do evento conta com oficinas, apresentações artísticas, feirinha e rodas de conversa com demandas da população negra   

Dentro da programação do Novembro Negro, tem início nesta segunda-feira (20) o Festival Afrocoletividade em Petrolina, no Sertão Pernambucano. A segunda edição do evento conta com oficinas, apresentações artísticas, rodas de conversa e feirinha.
De acordo com a organizadora do evento, Viviane Costa, o espaço não quer apenas comemorar o Dia da Consciência Negra, mas chamar atenção para as demandas dessa população. "O Festival Afrocoletividade veio para ficar, como marco histórico em Petrolina. É uma forma de chamar a atenção da comunidade para as demandas da população negra, reforçando a necessidade de ter políticas públicas voltadas a estas pessoas. O festival está para além de ser somente uma comemoração, mas sim um mês de luta", comentou.
O Festival segue até o dia 30 de novembro e a participação é gratuita.
Confira a Programação completa:
20/11 (Segunda-feira)
Endereço: Praça Dom Malan, Centro
9h| Saudações Afro|Ciranda coletiva com Adriana Gonçalves
9h30|Atendimento ao público: Atendimento Juridico (Nassau)|Atendimento de saúde (Secretária de Direitos Humanos/ Secretaria Executiva da Mulher e Secretaria Saúde)|Atendimento de Beleza (Instituto Embelleze)|Massagens Relaxantes (Profissional Fabiana Matos)
10h|Oficina de Percussão com Samuel Araújo
10h30| Roda de conversar sobre Genocídio da População Negra com o professor Gilmar Santos
11h|Oficina de Estampa Criativa com Ionally Silva (Cubículo)
11h30|Roda de conversar sobre Intolerância Religiosa com Erinalda Feliciana
12h| Intervalo para Almoço
14h| Roda de conversar sobre Estética e Mídia Negra com Luadia Mabel (RMN)
14h30| Oficina de Turbante com Fabiana Matos
15h|Roda de conversar sobre Lutas e resistências da população negra com Diego Alberques
15h30| Oficina de Dança do Coco com Adriana Gonçalves
16h| Vivência de capoeira Angola com Emille Araia
16h30|Oficina de Hip House com Gessy Felix
18h|Reunião com os selecionados para o Desfile Beleza Negra 2018
19h| Cultural Afrocoletividade|Saudação Afro
19h10| Apresentações Capoeira Muzenza
19h40|Apresentação estudantes
20h |Banda Terça Aumentada
20h40| Banda P1 Rappers

Amazonas - Quilombo de São Benedito celebra Dia da Consciência Negra

A programação contará com apresentações de capoeira, maracatu, grupos de pagode, escolas de samba e a tradicional distribuição de feijoada.



Quilombo do Barranco de São Benedito, segundo quilombo urbano do Brasil, promoverá hoje segunda-feira (20), programação para lembrara que 20 de novembro Dia da Consciência Negra é dia de luta.

Os festejos, que são tradição na comunidade, terão início às 12h e contarão com apresentações de capoeira, maracatu, grupos de pagode, escolas de samba, além da distribuição de feijoada.
De acordo com Jamily Souza, uma das organizadoras dos festejos religiosos do quilombo, a festa acontece desde o ano de 2006, mas a feijoada é uma tradição dos moradores da comunidade.

Localizado na Avenida Japurá, no bairro da Praça 14, Zona Sul de Manaus, o Quilombo de São Benedito concentra 25 famílias, que são descendentes de escravos vindos do estado do maranhão.


O Quilombo de São Benedito também é considerado 'Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Amazonas'. O título foi concedido pela Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), em 2015.

Fonte G1

No mês da consciência negra, Brasília recebe projetos com a temática

Por 
 Camila Beatriz* Rebeca Borges*

Eventos na capital colocam em pauta debates para promover empoderamento e espaço de discussões relacionados ao Dia da Consciência Negra. Atividades que abraçam causas da mulher negras e de negros LGBT aparecem em destaque nas programações, que variam entre espetáculos teatrais, oficinas, rodas de debate, batalhas de rap e shows.

Vera Veronika participa de Conexões Urbanas
com oficina de empoderamento
Criada há 14 anos, a data foi escolhida para homenagear Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, no dia de sua morte. Os quilombos não foram esquecidos e fazem, inclusive, parte de discursos de luta por direitos dos negros. É por isso que o diretório negro estudantil da Universidade de Brasília (UnB) foi batizado com o mesmo nome. Em outubro de 2017, o Quilombo da UnB completou um ano de existência. Nesse período, o diretório fomentou diversos debates sobre as causas raciais dentro e fora da universidade, incluindo estudantes de outras instituições e até trabalhadores terceirizados em seus eventos.

Neste mês, em homenagem ao Novembro Negro, a proposta do diretório é focar em pautas mais específicas, de acordo com as demandas recebidas pela iniciativa. “Escolhemos falar, principalmente, sobre o rap e sobre o colorismo, além de temas específicos para mulheres negras e para a comunidade LGBT negra”, explica o aluno de Antropologia e integrante do Quilombo Lua Xavier. Atendendo essas demandas, a programação conta com batalhas de rap, como a Batalha das Bixas Pretas, que ocorreu na última semana, e a Batalha das Mulheres Negras, que acontece 23 de novembro.

“Existe hoje uma confusão sobre o que é ser negro, pardo e branco. Acho que isso é justamente o que tem batido na nossa porta”, afirma Lua. Por isso, o Quilombo também realiza, nesta quarta-feira, o debate Colorismo e Identidade Negra. O estudante explica que a intenção do diretório é mostrar que as expressões de cultura negra têm origens, mas que muitas vezes são apropriadas e protagonizadas por pessoas brancas. “Precisamos do nosso espaço para expressar a nossa cultura”, completa.

Representatividade
Fernanda Jacob atua em Pentes, espetáculo que faz
reflexão sobre o cabelo crespo
“A gente está completamente acostumado a ver a figura branca representada na mídia de um país em que a maioria é preta.” A afirmação da atriz Fernanda Jacob ilustra a mesma pauta levantada por Lua e pelo movimento negro: a representatividade. Ela atua no espetáculo Pentes, parte da programação do Céu, primeiro festival nacional de teatro universitário do Distrito Federal, e explica como a questão é abraçada na peça. “Falamos sobre a fuga dos padrões eurocêntricos, que fazem com que, até hoje, as pessoas vejam o cabelo crespo como algo exótico.”
Para Fernanda, é necessário desenvolver o empoderamento na mulher negra, que sofre consequências do machismo e, além dele, do racismo e da discriminação por classe social. A atriz também observa a relevância da data: “Acho que a importância do Dia da Consciência Negra é enfatizar mais ainda a falta dessa consciência racial. Ele serve como um momento em que podemos nos desenvolver artisticamente nas escolas, falar sobre negritude e sobre a nossa mãe África. Se a data não existisse, provavelmente essas atividades não seriam feitas em nenhum dia”.

Causas feminegras
A atriz afirma que a luta contra o racismo não pode ser colocada apenas nas costas do negro. “O branco também deve assumir essa posição e comprar essa briga, senão nada muda.” Com debates similares, o evento Conexões Urbanas ganha primeira edição pensando nas causas feminina e negra. “É algo grandioso se você consegue somar forças para levantar as duas bandeiras juntas”, afirma a idealizadora Débora Carvalho. Ela completa: “A força para nos diminuir é tão grande que, se a gente não se empoderar, o sistema consegue colocar a gente ainda mais para baixo sempre”
Segundo Débora, que é DJ na capital há 18 anos, o maior objetivo do evento é capacitar mulheres. Ao escolher as convidadas que sobem aos palcos, ela explica ter buscado quem fizesse o público de negras se ver representado. O título de uma das atividades do evento dá o recado: “Mulheres donas de si”. Ministrada pela rapper brasiliense Vera Veronika, a atividade oferece oficina de empoderamento feminino. Para Débora Carvalho, o objetivo do projeto é claro: “Queremos mostrar uma perspectiva de futuro em um lugar social melhor, com visibilidade para essas mulheres”.
*Estagiárias sob supervisão de Igor Silveira


Confira eventos para celebrar o Dia da Consciência Negra no DF

» Debate: Colorismo e Identidade Negra
No Instituto Central de Ciências (Universidade de Brasília, campus Darcy Ribeiro, sala BT 620), quarta-feira, às 18h. Entrada franca. Verifique classificação indicativa.

» Batalha da Consciência Negra
No Instituto Central de Ciências (Universidade de Brasília, campus Darcy Ribeiro, sala BT 620), quinta-feira, às 20h. Entrada franca. Verifique classificação indicativa.

» Conexões urbanas
No Estádio Nacional (Eixo Monumental), quinta e sexta-feira, confira programação. Entrada franca mediante doação de livros, brinquedos ou alimentos não perecíveis. Não recomendado para menores de 16 anos.

» Mostra audiovisual de Re-existências Afro-ameríndias
No Instituto Cervantes (707/907 Sul, lt D), terça e quarta-feira, às 19h. Entrada franca. Verifique classificação indicativa.

» Espetáculo Pentes e debate Teatro e Consciência Negra
No Teatro Plínio Marcos da Funarte (Eixo Monumental), segunda-feira, às 10h30, debate Teatro e Consciência Negra; às 17h, espetáculo Pentes. Ingressos a R$ 10 (meia-entrada), R$ 20 (inteira). Classificação indicativa livre.

Fonte: correiobraziliense

Movimentos se organizam em Salvador

Hoje segunda-feira, dia 20 de novembro, dia da consciência negra,   uma série de atividades estão sendo  realizadas em  Salvador  

Marcha
A Coordenação Nacional de Entidades Negras realiza nesta segunda-feira, às 14h, a 38ª Marcha da Consciência Negra Zumbi dos Palmares, partindo do Campo Grande até o Pelourinho. O objetivo é fomentar a reflexão de toda a sociedade, em especial para a população negra, sobre a história do Quilombo dos Palmares e seu último grande líder, Zumbi.

Lavagem da Estátua de Zumbi dos Palmares
Também nesta segunda-feira, a partir das 8h30, na Praça da Sé, Centro Histórico de Salvador, aconteceu a 9ª Lavagem da Estátua de Zumbi dos Palmares. Promovida por organizações do Movimento Negro e outros movimentos sociais, o evento terá ainda o 1º Sarau da Consciência Negra: Pela vida da juventude negra, contra o genocídio.

Caminhada no centro
O Colégio Estadual Ypiranga promove nesta segunda-feir, às 10h, a 1ª caminhada da Educação, Saúde e Igualdade , nas ruas do bairro Dois de Julho. Com o tema "Engana-se quem pensa que a luta acabou", a caminhada segue pelas ruas do bairro, mobilizando estudantes, professores e a comunidade escolar.

Caminhada em São Cristóvão
Organizada pela Escola Municipal do Parque São Cristóvão Professor João Fernandes da Cunha, a Marcha dos Estudantes pela Consciência Negra vai reunir cerca de 800 alunos de unidades escolares da região, como as escolas municipais Osvaldo Godilho, Juiz Oscar Mesquita e 25 de Julho. O evento é na segunda-feira (20), com saída às 8h30 da escola organizadora, localizada na Rua Álvaro Pontes Bahia, 157, e chegada na Praça da Matriz de São Cristóvão

Show
O grupo Performáticos Quilombo leva o grito de poesia, música e resistência para o Palco da Convergência Negra, no Terreiro de Jesus, Centro Histórico de Salvador. O show começa às 19h desta segunda-feira. O grupo promete mostrar o que a Bahia tem de melhor na vertente afro pop brasileira, numa apresentação musical que interage com outras linguagens artísticas no palco.

Exposição e oficina de turbante
De segunda a sexta (24), a Estação Acesso Norte do metrô de Salvador receberá a Exposição de Fotos Candaces – Espelho Contemporâneo, Rainhas Ancestrais, da historiadora e ativista social Elza Elisa Pereira, que apresenta o empoderamento da mulher negra através de fotografias de mulheres comuns. A mostra faz uma analogia com as candaces - mulheres fortes, mães e rainhas -, representadas, atualmente, por donas de casa, trabalhadoras e mulheres guerreiras.
Durante a segunda-feira, das 14h às 19h, a Estação Acesso Norte também vai receber uma oficina de turbantes, comandada pela turbantista e fundadora da Oro Mi Maió Artes, Dani Santana. A facilitadora da oficina é uma das modelos da exposição Candaces e vai ensinar técnicas para amarrações de turbantes, acessórios marcantes da moda africana. As ações são gratuitas e abertas ao público.

Estética e moda
A loja de confecções afro, Zambi, localizada na Estação da Lapa, vai realizar uma série de ações que buscam a valorização da cultura negra sob o ponto de vista estético e da moda. A partir das 14h desta segunda-feira, serão promovidas oficinas de maquiagem e de confecção de turbantes, além de desfiles com roupas e acessórios da Zambi. A programação será encerrada com uma apresentação de teatro que vai contar a história de Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo dos Palmares e um dos maiores nomes da resistência contra o regime escravocrata no Brasil Colônia.

Cultura afro
O Shopping Center Lapa recebe o CulturAfro, projeto que irá mostrar o protagonismo cultural e artístico da população afro-brasileira. A programação de quatro horas inclui oficina de turbante, papo literário e uma apresentação especial do Rei e da Rainha Azevich da Escola Municipal Cônsul Schindler.
A cultura africana ganha espaço no evento com a exposição fotográfica “Traços 2017”, do Fotógrafo Alex Dantas, que ressalta a beleza da mulher baiana dentro de uma perspectiva cultural africana, evidenciando raízes, cores e elementos da estética negra.
A programação contará ainda com uma apresentação do Movimento Cultural Musa Negra da Bahia e uma aula pública com o tema: Conhecendo a Nossa História, com a Professora Mestre Eliane Boa Morte. O CulturAfro acontecerá das 15 às 19h, na praça de alimentação do shopping.

Fonte: G1


Movimentos Organizam 14ª Marcha da Consciência Negra em São Paulo

Militantes vão para ruas hojé,  reivindicar um novo projeto político para a população preta. Concentração será na Avenida Paulista, centro da capital paulista
Um novo projeto político, participativo e promotor da inclusão, é a principal reivindicação da 14º Marcha da Consciência Negra, hoje segunda-feira (20). A concentração em São Paulo será a partir das 13h, no vão livre do Masp, na Avenida Paulista, de onde a manifestação segue em passeata até o Teatro Municipal, também no centro da capital.
                            
Sandra Mariano, da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen), afirma que o dia será de celebração, mas também de muita luta. "Vamos às ruas contra o genocídio da juventude e todos os retrocessos que o governo golpista vem implementando no país. Não podemos esquecer também do prefeito João Doria e do governador Geraldo Alckmin, que têm o mesmo projeto de Temer", afirmou.


Já a deputada estadual Leci Brandão (PCdoB) lembra que é preciso construir um novo projeto político no país, com a participação da população negra. "Vamos dar um basta ao racismo, a intolerância e ao preconceito. Vamos mostrar o que queremos. Exigimos respeito, cidadania e mais espaço de poder."

Ativistas também afirmam que o momento é sensível, porque, após o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, diversos retrocessos e ataques a direitos da população já ocorreram.
"Nesse dia, o povo negro unido irá marchar contra o genocídio, contra o racismo. A gente sabe que o povo negro é a principal vítima do Estado. Com o golpe, as coisas só pioraram", lamenta Adriana Moreira, da Frente Alternativa Preta (FAP). "Num ano de retirada de direitos, é muito importante a gente construir uma grande mobilização para barrar as reformas genocidas de Temer", acrescenta Beatriz Nascimento, integrante do mesmo movimento.
Nas redes sociais, circula uma convocação para o ato. O texto para que negros e não negros compareçam, já que a luta antirracista é universal pode ser lido abaixo:
Neste 20 de novembro de 2017, nós, povo negro, vamos às ruas marchar por uma sociedade mais justa para todas e todos. Nossa luta é contra contra o racismo, o genocídio do povo negro, o feminicídio, o machismo, o etnocídio, a LGBTfobia, o racismo religioso, o encarceramento em massa e todas as formas de violência eviolação dos direitos humanos, contra o golpe que tem promovido a retirada de nossos direitos.
Também convocamos você que se considera negra ou negro, assim como você que, independentemente de sua cor, se solidariza com a luta antirracista em nossa sociedade. Vivemos ainda hoje uma abolição inconclusa, na qual Estado e as elites historicamente dominantes de nosso país apenas tiraram negras e negros das senzalas das fazendas para nos jogar nas periferias e favelas. O tempo todo, a grande mídia e o discurso das classes dominantes se esforçam para mostrar que essa realidade pertence ao passado, mas a herança escravista traz grandes consequência negativas para a vida de toda a população brasileira – na economia, saúde educação, trabalho e muitas outras questões de nossa sociedade.
Nestes espaços para onde foi jogada a população negra, ao mesmo tempo que se nega toda espécie de direitos para os cidadãos se concentram todos os mecanismos de violência e controle, especialmente aqueles encabeçados pela força policial. Assim como nos tempos de escravidão, a polícia age não para garantir segurança mas para controlar as vítimas dessa sangria promovida por ricos e poderosos do país.
Mas a população negra resiste. E a Marcha de 20 de novembro simboliza nossa luta histórica! E nesta edição em especial queremos mostrar porque ainda hoje ela se faz tão necessária para todos e todas que aspiram uma sociedade mais justa.
Fonte: redebrasilatual/ movimento negro e entidades organizadoras

CARTA PROTESTO DO GRUPO “AFROLAJE”- Não amordacem a nossa cultura!

A Associação Cultural AFROLAJE há 05 anos tem valorizado a cultura afro-brasileira, promovendo roda cultural com JONGO, CAPOEIRA ANGOLA, SAMBA de RODA e outras manifestações afins, todo último domingo de cada mês, na Praça Agripino Grieco, no Méier. Estamos na praça pois acreditamos que a cultura popular brasileira deva estar acessível a todos e o Méier é um bairro rodeado de comunidades carentes, cujos moradores não possuem recursos para acessar bens culturais pagos. Por isso nossa roda é gratuita!

Além disso, o Méier é o bairro onde o Afrolaje nasceu e fincou as suas raízes nesses 05 últimos anos. Aqui ampliamos nossos laços afetivos agregando e compartilhando momentos com pessoas e grupos das mais variadas vertentes culturais, sociais e econômicas. 

Apesar de toda a nossa trajetória, neste mês de novembro, mês de comemoração da “Consciência Negra”, estamos sendo impedido de realizar a nossa tradicional Roda de Jongo, por conta da nova política burocrática adotada pela prefeitura. Neste mês também prevíamos a participação de mestres quilombolas e do “Coletivo Cinegrada”, que nos proporcionaria um cine debate sobre racismo. 

No lugar do Jongo e do debate sobre racismo, a praça vai receber um evento de Rock. Isso em pleno mês da “Consciência Negra”. Lembrando que outros irmãos de atividades também estão passando pela mesma dificuldade. Importa esclarecer que apoiamos todos os tipos de manifestações culturais e este protesto não é contra o Rock ou roqueiros, mas sim contra o cancelamento da tradicional roda de jongo que acontece mensalmente na praça Agripino Grieco nos últimos 5 anos. 

Após diálogo com a prefeitura, foi sugerido deslocarmos a roda para a “Praça do Trem”, no Engenho de Dentro, sob a promessa de fornecimento de ponto de luz e banheiro químico para a realização do nosso evento. Porém, mais uma vez a prefeitura mostrou o seu descaso com a cultura afro brasileira! Além de não cumprirem o combinado, outro evento foi marcado também na “Praça do Trem” para o mesmo dia e horário em que a prefeitura havia nos concedido o espaço.

 Infelizmente, os fatos demarcam o desprezo da prefeitura da cidade do Rio de Janeiro com a cultura afro-brasileira. Tal descaso se dá num contexto de intensificação da intolerância religiosa, cultural e política com o povo preto, que tem visto as suas formas de viver, crer e se alegrar desprezadas e até mesmo criminalizadas. Agora o que fazer?


AGREGAR E RESISTIR!

Rio de Janeiro, 18 de novembro de 2017.


sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Mulher negra graduada no Brasil recebe 43% do salário de homem branco

As mulheres negras têm a menor renda entre as trabalhadoras 

com ensino superior, segundo estudo.



Luiza BelloniRepórter de Notícias e Viral no HuffPost Brasil


Ser mulher negra no Brasil é estar mais suscetível à violência doméstica, preconceito racial e ainda ganhar cerca de 43% menos que um homem branco, mesmo ambos com graduação.
De acordo com o estudo "O Desafio da Inclusão", elaborado pelo Instituto Locomotiva, com dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), as mulheres negras têm a menor renda entre os trabalhadores com ensino superior.

Enquanto a renda média do homem branco que têm superior completo é de R$ 6.702, o homem negro graduado ganha R$ 4.810 -- 29% menos que o branco. Já a mulher branca, também graduada, ganha uma média salarial de R$ 3.981 e, por último, a mulher negra com ensino superior ganha salário médio de R$ 2.918, 27% menos que a mulher branca.

Tal desigualdade salarial entre brancos e negros e entre os sexos representa um prejuízo bilionário. Segundo o Locomotiva, todos os anos, são desperdiçados R$ 808,83 bilhões que poderiam estar no mercado.

Além do salário menor, os negros no Brasil também enfrentam uma série de barreiras para se inserirem no mercado de trabalho. Mais de 90% dos entrevistados nunca fizeram um curso de idioma e 60% nunca receberam nenhum tipo de qualificação profissional.

O velho racismo camuflado
Apesar de 93% dos brasileiros concordarem que "existe racismo no Brasil", apenas 3% declararam abertamente que preferem evitar conviver com negros.
Parte deste preconceito está estampado na TV e na publicidade brasileira. Mesmo sendo maioria da população, mais de 90% dos protagonistas de campanhas publicitárias são brancos.

Além disso, 72% dos brasileiros negros afirmam que as pessoas que aparecem nas propagandas costumam ser muito diferentes deles e apenas 6% dos negros se sentem adequadamente representados na TV.

"Vejam, não estamos falando de nicho ou segmento, mas da maioria da população brasileira, já que 55% dos brasileiros se identificam como negros. A disparidade salarial entre brancos e negros causa uma perda de R$ 808 bilhões por ano ao mercado", afirmou o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles.


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

As mulheres são donas de uma São Paulo duas vezes menor do que os homens: por quê?

A concentração de riqueza traz, em cidades como São Paulo, características relacionadas aos processos históricos de uso e ocupação do solo. Além da enorme má distribuição no número de imóveis entre os maiores proprietários e a massa da população (“um por cento dos donos de imóveis de São Paulo concentra 45% do valor imobiliário da cidade“), uma análise a partir da base de dados do IPTU (o Imposto Predial e Territorial Urbano) também revela enormes desigualdades entre as relações de gênero no acesso à propriedade de imóveis urbanos.
Mapa 01
Combinando a base de dados de nomes mais populares no Brasil – feita pelo IBGE e sistematizada pelo site MedidaSP – à base das matrículas imobiliárias da Prefeitura de São Paulo (disponível desde 2016 no Geosampa), obteve-se uma estimativa do gênero do(a) proprietário(a) de 2,4 dos 2,8 milhões de imóveis urbanos da cidade possuídos por pelo menos uma pessoas física.
As mulheres são “donas de uma São Paulo” quase duas vezes menor do que os homens
Apesar de representar 52% da população da capital paulista, as mulheres possuem, apenas, 33% dos imóveis (aproximadamente 900 mil), ou 30% da área total construída. Um contingente de pessoas que representa mais de metade da população possui apenas um terço dos imóveis no mesmo território. Os homens, por outro lado, são donos de 55% (1,5 milhão) dos imóveis, ocupando 57% da área construída. A parcela restante dos imóveis pertence a pessoas física cujo gênero não foi identificado ou a pessoas jurídicas – uma vez que 10% dos imóveis da cidade são possuídos, conjuntamente, por uma PF e uma PJ.
Há também uma evidência de desigualdade regional nessa distribuição: o Mapa 1 indica, à primeira vista, a proporção de área construída possuída por mulheres é menor na periferia.
No entanto, e uma vez que a proporção de mulheres não é igualmente distribuída na cidade, fizemos uso de duas ferramentas para verificar se há uma evidência estatística de concentração espacial: um índice chamado Quociente Locacional (QL, que é igual a 1 se a proporção de imóveis possuídos por mulheres for igual à proporção de mulheres na população adulta do Distrito), ao qual foi aplicado um mapa de clusters.
Mapa 02
Os resultados, bem como a explicação do QL, podem ser verificados nos Mapas 2 e 3.
Essa análise aponta que há uma forte evidência de concentração espacial das áreas de QL mais alto no centro expandido da cidade. Ou seja, em São Paulo há uma enorme desigualdade entre gêneros na posse de imóveis, e uma forte evidência de desigualdade intra-gênero. Isso reflete a desigualdade econômica já muito evidenciada na cidade.
As desigualdades no acesso à propriedade imobiliária afetam tanto a distribuição da riqueza urbana, quanto o acesso físico à cidade e aos bens públicos nela providos. Quando há falta de acesso à propriedade imóvel também diminui o acesso à infraestrutura, especialmente de transporte e iluminação pública, às condições produtivas e à segurança pública.
Mapa 03
Recentemente, a Conferência sobre Moradia e Desenvolvimento Urbano Sustentável – Habitat III, promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU), estabeleceu a chamada Nova Agenda Urbana, que deverá orientar especialmente governos sub-nacionais a tornar as cidades mais inclusivas. Seus objetivos incluem igualdade de gênero, entre os quais ganham destaque aqueles de promoção do acesso à moradia e à propriedade rural e urbana.
Além disso, a Conferência destaca a relação com o fortalecimento do planejamento urbano inclusivo por meio do uso de plataformas e ferramentas digitais com informações geoespaciais incluindo localização de equipamentos e serviços (parágrafo 156).
A ponte entre esse assunto e o tema abordado pode não ser evidente, mas a análise que evidencia as desigualdades entre e intra-gêneros só foi possível a partir da abertura da base de dados do IPTU e de seu georreferenciamento em plataformas digitais inovadoras como o GeoSampa.
Superar desigualdades relacionadas a questões estruturais na relação de poder entre gêneros, mais do que amenizar as diferenças, faz parte de uma agenda verdadeiramente transformadora para que toda a população, presente e futura, exerça o direito à cidade.

Texto de Priscila Spécie e Miguel Jacob. Priscila é doutora em Filosofia do Direito pela USP e foi Chefe de Gabinete da Secretaria de Desenvolvimento Urbano na Prefeitura de São Paulo. Miguel é mestrando em Administração Pública e Governo na FGV-SP e pesquisador do CEPESP.
Leia o estudo completo dos pesquisadores clicando aqui.

Fonte:Ag.Patrícia Galvão 

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Elisa Lucinda: Coisa de branco, até quando?

por Elisa Lucinda

Elisa Lucinda, no Facebook


Foto : Facebook
Escroto, consciente, ativo, legitimado, estrutural, septicêmico em todos os órgãos da nação, o racismo de William Waack não é só dele. Essa é a pior notícia. “Coisa de preto” é subtexto corrente na mente de grande parte de uma sociedade criada sob os parâmetros da Casa Grande. O diabólico plano que começou com tráfico, tortura e assassinato do povo negro e que durou quatrocentos anos, é mais nefasto e homicida do que os cinco ou seis anos do holocausto judeu e essa dor a humanidade respeita mais. Não estou dizendo que uma dor é menor do que a outra. Mas afirmo que o holocausto da escravidão negra continua até hoje e não comove nossa sociedade. Não importa, em geral, a quantidade de negros sem nome, sem sobrenome nobre que é assassinada diuturnamente nas favelas e periferias deste país. Ainda rola no imaginário brasileiro a ideia obsoleta de que “preto bom é o de alma branca”, é o sem voz, e há neste imaginário uma desvalorização da etnia negra como se houvesse para isso alguma defesa científica que apontasse no DNA de uma raça sua propensão à sub-humanidade.
O que impressiona muito no vídeo do Willian é sua falta de conflito com o tema, seu conforto escancarado e muito bem acomodado dentro de sua convicção. Quando a Globo que, felizmente, com muita rapidez, prontamente se posicionou repudiando e afastando o jornalista, afirma que vai pedir esclarecimentos dos fatos, dá vontade de ser uma mosquinha na cabeça deste profissional para ver qual será o melhor argumento nos bastidores dessa saída. A situação é indefensável. Não falou sem querer, não estava nervoso. Repito: trata-se de uma convicção. Absolutamente consciente e levemente temeroso de que sua fala pudesse comprometê-lo, ele, textualmente, quase evita falar abertamente: “Tá buzinando por quê? Ô seu merda do cacete! Deve ser um... Não vou nem falar quem. Eu sei quem é... Você sabe quem é né?” Mas não resistiu. Saiu. Pulou da boca. Pensa assim. Concorda com o racismo. É porta voz dele. Estamos diante de um vazamento e por ele podemos supor quantas dessas atitudes não chegam a público e fazem a graça de muitos bastidores. Não seria leviano de minha parte afirmar que essa não é uma atitude isolada deste jornalista. Um detector de discriminação racial afinado talvez não tivesse dificuldade em encontrar na educação, dele e de sua família, a ideologia revelada no patético vídeo gravado em frente à Casa Branca. Ele estava nos Estados Unidos, ele falava português, ele estava em seu “camarim” e não imaginou que a máscara Waack estava sendo retirada antes do público deixar o teatro. Sou atriz, vivo no teatro, e sei que se o público por algum motivo avista o truque, a ponta da carta escondida sob o manto do mágico, não há outra saída para o artista se não render-se à verdade. Já era. O público viu. Fodeu. É melhor admitir. Flagrantes são inegáveis. Qualquer tentativa de desqualificar a verdade flagrante é constrangedoramente impotente.
O que está em jogo aqui é como deter o escravagismo moderno, esse que foi trazido através da linguagem das escrotíssimas expressões que destroem a auto estima do povo negro a cada minuto, e que vão mantendo a obra da escravidão na cabeça de jovens brancos, de crianças brancas, em pleno 2017. A semente do mal é reproduzida em todos os lugares, inclusive nos jornalismos, inclusive nas ficções. Sou jornalista também de formação, e sei da responsabilidade pública que temos com a informação, sei do poder de influência da palavra jornalística na formação de opiniões. Diante disso numa democracia, ter um jornalista que apresenta um jornal importante numa emissora que alcança milhões de espectadores diariamente, defendendo posturas racistas, expondo-se inclusive judicialmente a um processo, aponta para uma demissão sumária deste profissional. Não vejo outra saída. Para mim, é tão grave quanto um médico que não atende um paciente preto e pobre na emergência. Para William Waack, a vida do preto, o pensamento do preto, a atitude do preto, os direitos do preto são menores e tudo nele vale menos. Está entranhado em seu DNA cultural branco e dominador tal aberração intelectual. Sua ignorância é sofisticadamente tosca, uma vez que ocupa um cargo nobre na tele informação. E essa ignorância é tão sofisticada quanto perniciosa, representa um pensamento vigente que raramente tem coragem de mostrar a cara, de sair do armário. Mas é este pensamento que gera a atitude prática de fechar portas, e de provocar em nós, em nossas organizações civis e nas leis, a feliz estratégia dos sistemas de cotas. Quando Cazuza diz que a burguesia fede é a isso que ele se refere. Há uma hipocrisia católica, disfarçada de caridosa, ornada dos aparentes bons costumes, mas que chafurda na lama tóxica de seus preconceitos e na sua luta pela preservação das senzalas, dos quartos de despejos e da persistência variada das chibatas. Presídios, quartos de empregadas, entulhos das favelas e periferias, tudo têm como modelo os porões da escravidão.
Eu teria vergonha de ensinar racismo aos meus filhos, William não tem. Eu teria vergonha de ser racista em meu local de trabalho, William não tem. Eu teria vergonha de ser racista sendo brasileira e estando trabalhando em terras estrangeiras, William não tem. De usar a minha língua contra o povo que construiu a minha nação, William não tem. E por isso representa uma vergonha para o povo brasileiro. Sua declaração bate na cara dos negros que labutam para o sucesso da história desse país e da empresa que ele trabalha; sua declaração é um acinte, um achincalhe no talento de grandes atores negros que deram e dão sua arte à teledramaturgia brasileira contribuindo para um sucesso de público que atravessa décadas. Sua declaração atinge também em cheio a consciência de brancos a quem ele não representa, os constrange, os convoca a limpar a própria barra. Puni-lo com uma demissão me parece uma atitude equivalente ao crime. Condiz. Sua opinião provoca um grande estrago e põe o dedo numa chaga acesa. Se ele trabalha numa empresa que não apoia o racismo, o seu flagrante delito o torna naturalmente afastado da emissora. Se a Rede Globo não quer compactuar com uma atitude discriminatória não pode ter em seus quadros quem pensa diferente disso, uma vez que tal quesito está espargido em todos os conteúdos de sua programação. Neste momento, estou fazendo a campanha da ONU chamada Vidas Negras. Os números são alarmantes, perdemos grandes exércitos de meninos que saem da escola para o crime e, entre estes, milhares são assassinados sendo inocentes, só por serem negros. E só. Por valerem menos.

Mas a tragédia só se realiza, só chega a virar sangue, a virar tiro de fuzil, só chega a matar depois de se consolidar na mente de muita gente, e muita gente que manda neste país. É este jogo que nós temos que desmontar. Quando se diz “coisa de preto” como sinônimo de inferior ou ruim, no fundo estamos produzindo um conteúdo que dará autorização para matar. William Waack não é o único a pensar assim, é isso que o vídeo veio nos revelar. É coisa de branco e aos bons brancos deve envergonhar. O assunto está bombando. A questão racial no novo  filme de Daniela Thomas vai ser assunto nessa sexta no Pedro Bial. Não dá mais pra segurar. O mundo pede abolicionistas modernos e quer saber de que lado você está

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